Como Cuidar da sua Cestaria: Guia para Fibras que Duram uma Vida
- 22 de jan.
- 3 min de leitura
A cestaria é uma das artes mais resilientes do mundo, mas, por ser feita de matéria viva, exige um olhar atento. Um cesto não é um objeto estático; ele respira, reage à humidade e conta a história do ambiente onde habita. Se cuidarmos bem destas fibras, elas podem acompanhar-nos durante gerações, ganhando uma pátina que o homem não consegue replicar.
Neste guia, partilho consigo os segredos para cuidar e manter as suas peças de cestaria de vime, junco e palma tão vibrantes como no dia em que saíram das mãos do artesão.
1. A Hidratação é a Chave (Vime e Castanheiro)
Ao contrário do que se possa pensar, o vime pode morrer de "sede". Quando o ambiente é demasiado seco — especialmente com o uso de aquecimento central no inverno — as fibras tornam-se quebradiças e perdem a elasticidade, podendo estalar ao menor toque.
A Dica: Uma vez por ano, ou quando sentir a peça muito rígida, deixe o cesto na casa de banho enquanto toma um duche quente. O vapor de água é a forma mais delicada de hidratar as fibras em profundidade. Pode também passar um pano de algodão ligeiramente humedecido em água morna. Verá que a cor da fibra recupera imediatamente o seu brilho natural.
O Porquê: As fibras de madeira precisam de um nível mínimo de humidade para não estalarem sob pressão.
2. O Perigo do Sol Direto (Palma e Junco)
Se o vime gosta de alguma humidade, a palma e o junco são os "vampiros" da cestaria: adoram a luz, mas o sol direto é o seu maior inimigo. A radiação UV "coze" as fibras finas, tornando-as cinzentas e extremamente frágeis.
A Dica de Ouro: Evite colocar as suas alcofas de junco ou cestos de palma em parapeitos de janelas onde o sol incida diretamente várias horas por dia. Se a fibra começar a empalidecer, é sinal de que precisa de ser mudada para um local mais protegido.
3. Como Cuidar e Limpar Cestaria Sem Danificar
Um cesto é um labirinto de entrançados onde o pó adora esconder-se. No entanto, nunca use produtos de limpeza domésticos, que podem manchar irreversivelmente as fibras naturais.
Pincelar a História: A melhor ferramenta de limpeza para um colecionador de cestaria é um pincel de cerdas macias (como os de pintura). Use-o para "varrer" o pó de entre as tramas.
Manchas Localizadas: Se o cesto manchar, use um pouco de sabão azul e branco (o nosso clássico sabão neutro) num pano muito bem torcido. Limpe suavemente e deixe secar naturalmente à sombra, num local ventilado.
4. O Inimigo Silencioso: O Bolor
Sendo objetos feitos a partir de matéria orgânica, os cestos precisam de circulação de ar. O maior erro é guardar cestaria dentro de sacos de plástico ou em caves húmidas e fechadas.
Prevenção: Se o seu cesto apanhar humidade (por exemplo, se o usar para trazer flores do jardim ou se apanhar chuva), certifique-se de que ele seca completamente antes de o guardar. O bolor em fibras naturais é muito difícil de remover sem danificar a peça.
5. Reparar em vez de Deitar Fora
No meu ateliê, acredito que uma peça reparada tem o dobro do valor. Se uma alça de um cesto antigo começar a ceder, não a deite fora.
A Cicatriz Bonita: Use um fio de cânhamo, uma tira de couro, um entrançado de fio de algodão, ou até um retalho de tecido antigo para reforçar a zona danificada. Estas "reparações visíveis" dão personalidade à peça e provam que ela é amada e usada. O "remendo", é uma cicatriz que dá personalidade à peça.
Cuidar de um cesto é um exercício de paciência e observação. É a nossa forma de agradecer à terra pela matéria-prima e ao artesão pelo tempo despendido.
Gostou destas dicas?
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